A influência da televisão no comportamento infantil

por: Elisandra Cecilia Schwanka

A Influência da Televisão no Comportamento Infantil

A Influência da Televisão no Comportamento Infantil

“As crianças aprendem não apenas o que lhes é dito que devem fazer, mas principalmente o que veem ser feito por outras pessoas. Enquanto antigamente os modelos eram quase exclusivamente os pais e os membros mais íntimos da família, atualmente os modelos são fornecidos amplamente pela comunicação de massa (jornais, revistas, cinema e, especialmente, a televisão). (BIAGGIO, 1976 , p. 169)

Uma das grandes preocupações dos pais e educadores (conscientes) hoje em dia, é o fato da TV ter-se transformado em babá das crianças, gerando uma série de consequências em seu comportamento. Porém, como vários estudos serão indicados, é muito difícil explicar as relações claras de causa e efeito entre exposição à violência na TV e o comportamento das crianças na vida real.
Bolsanello (1981, p.357) comenta que Vladimir Kosma Zworrynkin, inventor da televisão, afirmou em uma de suas entrevistas, que sua intenção ao inventar a televisão “era empregá-la para educar e transmitir cultura ao povo, mas que, quando liga a TV, hoje, só escuta “bangue-bangue””.
Experiências em todo mundo tem comprovado que a TV, nos últimos 235 anos, tem mudado o comportamento de milhões de pessoas, a ponto de uma geração não se adaptar aos padrões de uma geração mais jovem.
Sociólogos, psicólogos, pedagogos, pensadores e outros profissionais têm procurado estudar fenômeno explicar até que ponto e em que medida a TV é responsável por essas alterações no comportamento humano. No entanto, muitos afirmam que a TV estimula o desenvolvimento da inteligência e deforma a personalidade. Aqui é que cabe a verdadeira pergunta. Quem é o principal responsável pelo suposto aumento da violência entre o público infantil de televisão? A técnica, o veículo de comunicação reforçador de comportamentos? Ou uma situação social que fornece campo para proliferação desses valores e exige que os veículos os reforcem para sobreviver?
Atualmente observa-se uma realidade difícil onde todo mundo é obrigado a lutar pela sobrevivência a tentar atingir alguns padrões sociais, importantes até para manutenção da família, uma situação que gera falta de comunicação no ambiente familiar, por causa do cansaço de cada membro, das circunstâncias pouco propícias ao desenvolvimento comuns. Sendo assim, com esta falta de diálogo entre a família, a TV entra como meio de preencher o vácuo, trazendo uma realidade que pode ser vivida de forma simbólica, fictícia. A criança utiliza a televisão para concretizar ansiedades e objetivos sem precisar passar por uma série de experiências difíceis.
No caso da criança, não se trata apenas de conhecimentos incorporados a experiências anteriores, ela já começa a receber informações, a captar a realidade de uma forma bem diferente da nossa. Veja-se, por exemplo, a distância que vai entre demonstrar que a terra é redonda através de imagens e explicações verbais (que foi como nós adultos aprendemos) e a mesma informação recebida quando um satélite mostra a terra redonda, perfeitamente visível no espaço. Basta esse exemplo para por em evidência um fato importantíssimo: a própria maneira de a criança receber a realidade através da televisão coloca em questão a forma estruturada de o adulto lidar com a realidade que está fora dele. A criança começa a ver as coisas com uma velocidade muito maior que a nossa. Em poucas palavras, o caminho que o adulto segue para explicar o que está fora dele é velho. E o adulto também é velho, na medida em que a criança está vivendo uma realidade muito mais rápida, exacerbada pela televisão. Por isso, a pergunta que devemos nos fazer é: A televisão pode ser a responsável por diversos males na família, por que acelera o questionamento da autoridade dos pais? Vivendo e aprendendo mais rápido que os pais, a criança contesta sua autoridade, sua paciência?
Mas esse distanciamento criado pela TV entre pais e filhos não depende dela, por ser apenas veículo, e sim da atitude diante dela: uma atitude passiva. O adulto senta-se, olha, não comenta. Usa a televisão de maneira individualista; não divide as experiências vividas através da TV. Pelo comportamento imitativo a criança tem a mesma reação. E usufrui individualmente das experiências, quando poderia vive-las coletivamente, familiarmente, em comum.
Neste caso o papel de pais e educadores é convidar as crianças a se expressarem sobre os programas a que assistem, pois desta forma estarão libertando as crianças do silêncio passivo.
A dificuldade do adulto em construir um novo relacionamento familiar muitas vezes acaba fazendo a culpa recair sobre a televisão que, consequentemente, é negada a criança. E essa não é a melhor maneira de lidar com o problema. A televisão como o cinema, como o livro, como o gibi, são multiplicadores de cultura, fenômenos culturais que vieram para ficar. Mudando o que o homem vive, o que o homem é.
Se negarmos a criança de hoje a realidade que é a televisão, como poderá relacionar-se com essa realidade quando adulto? Como a utilizará para construir a realidade de seus filhos? Negar esse novo dado e as transformações que provoca seria negar uma série de transformações que virão depois de nós e a partir de nós.
Segundo Bolsanello (1981, p.359), algum tempo atrás, um rapazinho de 15 anos foi julgado por ter atirado uma bomba, fabricada por ele, em seus professores. Ele declarou que tivera a ideia assistindo a televisão. O advogado que o defendeu argumentou que o rapaz foi exposto aos “horrores” da televisão e que, portanto era natural que tentasse imitar o que vira.
O mesmo se poderia dizer de outro garoto que se atirou da janela de um edifício, porque achava que poderia voar como Batman, ou de um terceiro que pôs vidro na comida, para ver se faria em sua família o mesmo efeito que o presenciado por ele na TV.
Outro fato semelhante comenta Costa (2000, p.45) sobre um garoto de 9 anos que esfaqueia uma menina de 7, e o mesmo afirma que agiu inspirado no filme “ Chucky um brinquedo assassino” que havia visto na TV uma semana antes.
Acontecimentos como estes alimentam discussões sobre o impacto e influência da TV. Para alguns inimigos da Televisão esse meio de comunicação é uma força destruidora, desagregadora da vida normal, capaz de minar as famílias, os padrões tradicionais e a moralidade, colaborando para a desintegração do sistema social. Acusam a televisão de corromper os jovens e causar indisciplina nas escolas. Outros simplesmente criticam a baixa qualidade das emissões de TV, que, assim, entorpeceriam a atividade intelectual de seus espectadores mais assíduos.
A televisão, em si mesma, é apenas um aparelho eletrônico, engenhoso e admirável, capaz de irradiar sons e imagens num ponto e recebê-los em outro. Seus pioneiros nunca poderiam prever impactos sociais de sua invenção. Talvez tenham enumerado seus possíveis benefícios e usos em muitas áreas da vida, que logo ultrapassaram de longe os sonhos mais ousados, mas não imaginaram que a televisão se tornaria um instrumento tão poderoso de comunicação de massa. No início, parecia impossível que pudesse superar todos os outros meio de comunicação.
Como quaisquer outros eventos revolucionários, o trem e o automóvel, por exemplo, que transformaram a vida dos homens, quer eles façam ou não uso deles, a televisão se tornou parte de nosso cotidiano.
Para Carlsson e Feilitzen (2002, p. 22) “As influências da violência na mídia estão, via de regra, em foco”. Porém o tipo de violência na mídia que é mais levada em consideração nos debates públicos e pesquisas de violência visível, física, ameaça e lutas, assassinatos, etc. Entretanto, além desses elementos físicos de violências, há também outros tipos de violência que têm recebido menor enfoque – a violência estrutural e mental, cujas responsáveis e vítimas nem sempre podem ser identificadas e cujas causas e consequências são mais difíceis de analisar, pois em regra, elas estão profundamente enraizadas na cultura e na sociedade em geral.
A autora cita que a maioria das crianças e jovens, em uma pesquisa realizada em nível nacional nos EUA, quando veem crianças na TV, elas estão envolvidas com crimes, drogas ou violência. De acordo com um garoto norte-americano: “as pessoas se inspiram no que vêm na TV. Se elas não se veem a si próprias na TV, vão querer ser outra pessoa”.

Referências
BIAGGIO, A.M. B. Psicologia do Desenvolvimento. Petrópolis: Vozes, 1976.
BOLSANELO, A. A infância. In: Análise do comportamento Humano em Psicologia. (Conselhos). 3ed. Curitiba: Educacional Brasileira, 1981.
CARLSSON, U. e FEILITZEN,C.V. (orgs). A criança e a mídia: imagem, educação e participação. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2002.
COSTA, C. TV, um brinquedo assassino. In: Revista Educação, mar2000, p 42-45.

Disponível em http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/14147/a-influencia-da-televisao-no-comportamento-infantil

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