Tecnostresse e família

Estou disponibilizando um link referente à um artigo escrito pela professora Hilda Alevato intitulado como “Tecnostresse: entre o fascinio e o sofrimento”, que tem tudo a ver com o tema do blog. Ela fala sobre os problemas causados pelo excesso de estímulos tecnológicos, ou seja, quando um indivíduo se depara com estímulos tecnológicos reage de forma estressada por causa das adaptações que devem ocorrer dentro de si para aceitar tais tecnologias.

Como o artigo é longo tomei a liberdade de relacionar abaixo apenas alguns trechos relacionados ao tema do blog. Quem tiver interesse no assunto é só acessar o link e ler na íntegra o artigo, é uma leitura interessante.

Boa leitura !

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TECNOSTRESSE E FAMÍLIA

Há menos de um século as pessoas acordavam, tomavam um café da manhã à mesa com a família e iam para o trabalho, a pé ou a cavalo. Muitos voltavam para o almoço em casa, e, no final da tarde, depois de desempenharem funções costumeiras, retornavam ao convívio da família.

À noite, cadeiras em roda facilitavam as conversas ao som de um rádio fanhoso que trazia notícias escassas, enquanto crianças brincavam sob o olhar dos pais. Um livro para ler, o jantar em família e o descanso regular fechavam o dia dos homens. Mais recentemente, um vizinho ou outro que possuía um aparelho de televisão reunia os amigos para uma programação especial.

Revistas e jornais impressos tratavam de questões locais, aqui e ali informando sobre o que acontecia no mundo fora da comunidade.

Comparando com a vida atual, percebe-se o quanto a rotina familiar mudou. Na atualidade, mesmo naquelas residências onde a mesa de jantar ainda reúne a família frequentemente o aparelho de televisão ligado concentra as atenções, enquanto uma pessoa silencia a outra em nome de uma notícia que está acompanhando ou de uma cena do filme ou da novela que não quer perder. Mesmo que ninguém esteja prestando atenção à programação exibida, ainda assim as trocas verbais ficam muito limitadas em comparação às vividas sem a presença do televisor ligado.

Jogos eletrônicos, computadores pessoais e outros equipamentos também contribuem para limitar os contatos interpessoais entre pais, filhos, irmãos e casais, levando cada qual para seus interesses/obrigações e inviabilizando a vazão de afetos, aflições, sentimentos e dúvidas que sustentavam a conversa entre familiares. Os elos de confiança capazes de descarregar angústias, os relatos opinativos e outras formas de comunicação do grupo de convivência doméstica ficam em segundo plano. A falta de intimidade cobra um alto preço na solidão e no isolamento que, paradoxalmente, contribuem para a ânsia por contatos virtuais.

A ampliação dos canais de comunicação oferecidos pelas ferramentas digitais favorece o desenvolvimento de uma ampla rede de “amigos”, próximos ou distantes, segmentados por interesses dos mais diversos: religião, esportes, cultura, ciência, moda ou qualquer outro tema.

Um grupo familiar permeado por vivências individualizadas e centradas em interesses privados deixa suas marcas tanto quanto um grupo rico em interações afetivas. A substituição de relações interpessoais diretas por relações mediadas pela máquina ou por jogos, navegação na internet e outros elementos de distração solitária tende a realimentar-se e contagiar outros elementos do grupo, contribuindo para uma espécie de “solidão a dois” ou mais, que propicia dificuldades na comunicação de sentimentos (típica do grupo familiar) e a partilha das angústias pessoais e sociais. Ao mesmo tempo, através da criação e da personalização de avatares é comum a manipulação de diferentes personalidades nos contatos virtuais, favorecendo a emergência de canais de expressão de dimensões pouco trabalhadas do Eu.

Novas questões têm sido apresentadas à sociedade, tais como a alta incidência de doenças pouco frequentes há algumas décadas, como a hiperatividade infantil ou o transtorno de déficit de atenção.

Outra questão que vem exigindo maior atenção da sociedade nas últimas décadas se refere ao convívio entre as várias gerações. A distância geracional que dificultava o diálogo e marcava a época em que ser adulto era o ideal da sociedade tem hoje características muito diversas. Hoje, a juventude é o modelo almejado – veja-se o excesso de ênfase em músculos delineados, a quantidade de cirurgias plásticas realizadas, o uso exagerado do “botox”, a idealização da vida ativa como um eterno fim de semana – e a velhice é alvo de eufemismos (terceira idade, melhor idade etc.), que tentam desassociar o homem que envelhece dos preconceitos que o cercam. Os que “vivem como velhos” são estorvos que não acompanham o ritmo do mundo Contemporâneo.

As dificuldades que o jovem enfrenta hoje estão mais próximas da falta de referências parentais do que das exigências e limites que os antigos pais impunham.

A juventude como modelo também torna precoces algumas práticas antes vivenciadas apenas no fim da adolescência. O desenvolvimento da sexualidade, presente em todas as fases da vida humana, parece saltar etapas, antecipando o final da infância com todas as suas nuances e consequências. As aprendizagens relativas às relações sexuais, antes limitadas a uma revista escondida ou a um colega mais experiente, hoje estão disponíveis para qualquer um, em todo tipo e qualidade de vídeo, na tela da TV ou do computador mais próximo.

A infância parece também abreviada por modos de ser e de agir típicos da juventude e cobranças que transformam a criança numa espécie de pequeno adulto cheio de compromissos de agenda, modas a seguir e pais ocupados com inúmeras demandas, derivando um relativo descuido com seu desenvolvimento moral.

Há algumas décadas, os valores guardavam características mais locais (comunidade, família etc.), favorecendo a semelhança de atitudes de pais e educadores em relação à educação de crianças e jovens. Hoje, os valores se estruturam com referências planetárias (ecologia, inclusão etc.), ampliando incomensuravelmente o espectro de modelos orientadores.

ALEVATO, Hilda. Tecnostresse: entre o fascínio e o sofrimento. Disponível em http://www.senac.br/BTS/353/artigo-06.pdf Acesso em 28/06/2013.

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